Ela tinha suor em sua testa assim que abriu a porta de casa. O local sempre na mesma, silencioso demais para uma casa de família, porem não parecia assim tão silencioso para Angelina que tinha zilhões de pensamentos ecoando dentro de sua cabeça.
Foi a cozinha a procura de uma faca, mas pensou que faca seria meio doloroso, pensou em tesoura, o que piorava a situação, mas foi na caixa de medicamentos que ela encontrou sua ferramenta perfeita, uma gilete nova, ainda embalada afiada o suficiente para que não provocasse tanta dor.
sentou-se no chão, no centro da sala de estar e sem saber direito como era aquilo começou ponto o tabuleiro a sua frente. Em seguida colocou sua mão acima dele e cortou a palma, foi tão rápido que ela nem sentiu, o sangue que caía ao centro do tabuleiro ia escorrendo para dentro das ranhuras em forma de letras primitivas, preenchendo-as de uma forma que parecia irreal. Então vieram os sussurros, e Angelina foi sentindo-se sonolenta, até que apagou.
Quando ela abriu seus olhos não foi o teto de sua casa que ela viu, e sim uma imensidão de branco que parecia infinita, levantou-se ainda meio atordoada para qualquer lado que ela olhasse ela via aquele branco infinito. Foi então que Angelina ouviu um farfalhar de asas atras de si, quando se virou viu a figura de um homem alto bem trajado, cabelos lisos castanhos caindo sobre sua face corada e grandes olhos caramelos atras dos fios, a menina parecia confusa:
—Quem é você? Ela perguntou.
—Sou Lúcifer, muito prazer Angelina.
—Lúcifer? Então você é o Diabo?
—Esse nome não é muito agradável, mas já que é assim que me conhecem por aí, sim, sou o Diabo.
—Mas, Os demônios costumam ter essa forma? Assim tão humanas?
—Na verdade não. Eu vesti esse traje para agradar os seus olhos.
—Esse é um ponto de vista da possessão que conseguiu me agradar.
—Está aí o porque de ser você.
—Ser eu o quê?
Uma cedeira grande almofadada aparece do nada. Lúcifer se senta e pede para que Angelina também se sente:
—Imagine só, anjo, uma pessoa comum ficando cara a cara com o Diabo, o que você acha que ela faria?
—Morreria de medo, aposto que rezaria todas as orações que aprendeu na vida. Ela sorri gentilmente.
—Exato! -Lúcifer aponta o dedo indicador para Angelina como um sinal concordante.-
Mas e você Angelina? como se sente estando sentada conversando com o Diabo?
—Intrigada, diria até mesmo...
—Até mesmo o que, criança?
—Me sinto até mesmo feliz.
Lúcifer se cala, olha para o nada por alguns instantes até que diz:
—Você faria um favor a mim, filha?
—Faria sim. mas, você me chamou de filha?
—Bom, posso ser seu pai adotivo. -Lúcifer sorriu de uma forma que chegava a assustar.-
—Adoraria.
Angelina sente-se sendo arrastada subitamente do mundo branco, a campainha da casa tocava, ela sente-se um pouco irritada por isso, abre a porta da casa e lá está parado menino aparentemente da idade de Angelina, pele clara, cabelos escuros e ondulados, olhos azuis cheios de lágrimas que transbordavam. Antes que a menina pudesse dizer qualquer coisa o garoto sussurrou em seu ouvido: "não faça isso". E sumiu no ar.
Angelina voltou a sala ainda tentando entender o que acabara de acontecer, então sobre o tabuleiro estava um pequeno pedaço de papel escrito: "Nos vemos amanhã."
CONTINUA...
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terça-feira, 1 de outubro de 2013
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Angelina, Livre
Angelina estava sozinha em casa, se sentia deprimida e solitária. Seus pais trabalhavam na fabrica mestre da pequena cidade e mal tinham tempo de conversar com ela, ela os via duas vezes ao dia, de manhã, quando eles levantavam para trabalhar e ela para ir à escola; e no almoço quando ambos vinham para casa almoçar.
A escola não era exatamente um lugar agradável para Angelina, ela já perdia as contas das vezes que visitara a enfermaria e prestara contas na direção, não era culpa dela na verdade, é que as garotas da escola insistiam que ela era estranha e que com certeza tinha pacto com o Diabo: "Quem dera tivesse". ela sempre resmungava para si mesma.
Angelina era baixinha cerca de um metro e sessenta centímetros de altura, mantinha o cabelo escuro, longo e meio despontado, seus olhos eram de um castanho mel e a cor roxa rodeava todo o olho em conta das noites de insonia, Sua pele era pálida, mas não de total brancura por conta de algumas tentativas falhas de conseguir um bronzeado bonito para agradar um certo menino que não valia a pena. Nessa noite Angelina estava disposta a mudar, queria mais, precisava de algo mais,e foi com essa disposição que sua vida transformou-se para sempre.
Tarde do dia treze de dezembro,Angelina andava calma arrastando a neve com o coturno,ainda que parecesse perfeitamente bem havia uma confusão dentro de sua mente adolescente, ela caminhava distraidamente quando um tropeço em algo duro a fez desviar-se de sua reflexão, uma tábua de madeira com escritas desconhecidas entalhadas na sua superfície estava propositalmente bem posta acima da neve com um bilhete que incrivelmente continuava sobre a tábua apesar de todo o vento do inverno. Angelina pegou o bilhete, seus olhos quase saltaram das orbitas quando a seguinte mensagem vinha escrita nele:
"Quem dera, depois de todos te abandonarem,você tivesse simplesmente a companhia do próprio Diabo, me ligue."
Angelina procurou por toda a rua por alguém que pudesse ter deixado aquilo ali recentemente, porém a rua estava deserta, nenhuma alma sequer parecia ter passado por ali dentre duas horas atrás.
Angelina pegou a tabua, abraçou sobre o peito, ela não tinha ninguém, não poderia recusar uma companhia seja ela qual fosse, mas antes ela precisava saber como usar a tabua e quem mais poderia saber se não o simbologista falido que trabalhava na biblioteca do centro.
A menina entrou na loja apreensiva procurando por aquele rosto velho mal-humorado do senhor Patrickison. Quando ela o mostrou a tal tabua o rosto do velho homem se iluminou ele ainda meio boquiaberto dirigiu-se a menina:
— Em que lugar desse mundo você escavou para encontrar uma tábua satânica que data de quatro mil antes de Cristo? Nunca ninguém viu uma peça dessas, há relatos delas em todas as gerações de bíblias satânicas, elas era taxadas como eficazes e que por elas podiam se dirigir ao próprio satã apenas pingando uma gota de seu sangue no centro. Enfim,ninguém acredita nessa baboseira de satã,mas essa tabua vale milhões, deixe-me fazer algumas ligações, aguarde um minuto.
Angelina não ficaria para tratar de negócios, sem perceber o homem deu à ela exatamente o que ela queria, uma forma de "ligar" para para seu mais novo amigo, como pedia no bilhete.
CONTINUA...
A escola não era exatamente um lugar agradável para Angelina, ela já perdia as contas das vezes que visitara a enfermaria e prestara contas na direção, não era culpa dela na verdade, é que as garotas da escola insistiam que ela era estranha e que com certeza tinha pacto com o Diabo: "Quem dera tivesse". ela sempre resmungava para si mesma.
Angelina era baixinha cerca de um metro e sessenta centímetros de altura, mantinha o cabelo escuro, longo e meio despontado, seus olhos eram de um castanho mel e a cor roxa rodeava todo o olho em conta das noites de insonia, Sua pele era pálida, mas não de total brancura por conta de algumas tentativas falhas de conseguir um bronzeado bonito para agradar um certo menino que não valia a pena. Nessa noite Angelina estava disposta a mudar, queria mais, precisava de algo mais,e foi com essa disposição que sua vida transformou-se para sempre.
Tarde do dia treze de dezembro,Angelina andava calma arrastando a neve com o coturno,ainda que parecesse perfeitamente bem havia uma confusão dentro de sua mente adolescente, ela caminhava distraidamente quando um tropeço em algo duro a fez desviar-se de sua reflexão, uma tábua de madeira com escritas desconhecidas entalhadas na sua superfície estava propositalmente bem posta acima da neve com um bilhete que incrivelmente continuava sobre a tábua apesar de todo o vento do inverno. Angelina pegou o bilhete, seus olhos quase saltaram das orbitas quando a seguinte mensagem vinha escrita nele:
"Quem dera, depois de todos te abandonarem,você tivesse simplesmente a companhia do próprio Diabo, me ligue."
Angelina procurou por toda a rua por alguém que pudesse ter deixado aquilo ali recentemente, porém a rua estava deserta, nenhuma alma sequer parecia ter passado por ali dentre duas horas atrás.
Angelina pegou a tabua, abraçou sobre o peito, ela não tinha ninguém, não poderia recusar uma companhia seja ela qual fosse, mas antes ela precisava saber como usar a tabua e quem mais poderia saber se não o simbologista falido que trabalhava na biblioteca do centro.
A menina entrou na loja apreensiva procurando por aquele rosto velho mal-humorado do senhor Patrickison. Quando ela o mostrou a tal tabua o rosto do velho homem se iluminou ele ainda meio boquiaberto dirigiu-se a menina:
— Em que lugar desse mundo você escavou para encontrar uma tábua satânica que data de quatro mil antes de Cristo? Nunca ninguém viu uma peça dessas, há relatos delas em todas as gerações de bíblias satânicas, elas era taxadas como eficazes e que por elas podiam se dirigir ao próprio satã apenas pingando uma gota de seu sangue no centro. Enfim,ninguém acredita nessa baboseira de satã,mas essa tabua vale milhões, deixe-me fazer algumas ligações, aguarde um minuto.
Angelina não ficaria para tratar de negócios, sem perceber o homem deu à ela exatamente o que ela queria, uma forma de "ligar" para para seu mais novo amigo, como pedia no bilhete.
CONTINUA...
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Eduardo
Capitulo 2
Eduardo subiu em cima do morro que tinha no meio do
campo e sentou-se.Ficou observando o bosque que tinha em volta dali, e enquanto
observava via pessoas andando,em um devaneio pensou ter visto sua mãe e saiu
correndo.Quando chegou perto do bosque todas as almas sumiram.Ele ficou muito
intrigado com isso, foi quando ouviu Asmodeus o chama-lo.Ele olhou para o morro
e lá estava o demônio.
-Você está no purgatório Eduardo.Mas, as almas que
estão aqui não podem lhe ver. Disse Asmodeus.
-Por que? Indagou Eduardo
-Porque você está aqui para um proposito especial.Você
achou mesmo que eu, o próprio Asmodeus, iria vir aqui para conversar com uma mera
alma? Que ingenuidade.
Eduardo ficou queto esperando ele continuar a
falar.Mas ele nada disse.
-E qual seria este proposito especial? Disse Eduardo
depois de um tempo.
-Não revelarei agora, você tem muito o que aprender
antes de saber por que está aqui.
Ele ficou calado esperando que Asmodeus continuasse a
falar, mas ele nada disse.Ele ficou esperando Eduardo o questionar, e ele o
fez.
-Aprender o que? Que proposito? E por que um demônio
está me dizendo estas coisas, eu deveria estar no céu, não aqui.
Asmodeus riu.Ele estava se divertindo muito com o medo
dele de ir para o inferno.
-E por que você acha que deveria ir para o céu?
-Porque eu nunca fiz mal a ninguém!
-Tem certeza disso?
-Sim, logico que sim! Gritou Eduardo já entrando em
desespero.
-Tem razão, você nunca fez mal para ninguém, mas
também nunca ajudou ninguém.Veja, sua própria mãe.Quando ela adoeceu você não a
ajudou, você continuou enfiado em seu mundo de livros e a ignorou.
Ele fez silencio e refletiu sobre o que Asmodeus
disse.Ele acabou concordando, mas não se entregou, não achou aquilo justo.Se
ele não fez mal, deveria ir para o céu. Mas, Eduardo nem imaginava o que lhe
aguardava.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Eduardo
Boa Noite
Hoje resolvi trazer uma coisa diferente para vocês. Vou começar a postar uma história que eu fiz a muito tempo atrás.Não sei se vocês vão gostar espero que gostem, a ~DonzelaDoInferno disse que está boa então vamos lá. Não sei quando vou postar a continuação, até porque só tenho dois capítulos feitos, não sei quando vai dar para continuar. Então chega de enrolação, lá vai. Se for postar em outro lugar, adicionar os devidos créditos, obrigada :3
Capitulo 1
Seu nome era Eduardo, grande e magrelo, apaixonado por aventuras, mas não essas aventuras em florestas, bosques ou campos. Eduardo gostava de se aventurar em livros. Tudo que podia ser lido ele o fazia, imaginava ser rei quando lia contos sobre reis, cavaleiros quando lia respectivos contos, amava tudo isso.
Mas algo mudou sua vida. Algo grande. Pobre Eduardo, a morte viera buscá-lo cedo, cedo até demais. Um dia ele jazia sentado em baixo de um carvalho, negro como o breu, admirava uma borboleta azul celeste que ali passeava desocupadamente, refletia sobre a vida, o seu amor pelos livros, pensava em ser professor.
Quando tinha sete anos ganhou seu primeiro livro, uma edição de bolso de Moby Dick, folheou algumas páginas e naquele mesmo instante descobriu o que seria da sua vida. Os livros se tornaram seus companheiros, ainda mais quando sua mãe viera a falecer. Ele se trancará em seu mundo de fantasias, tentava esquecer-se de tudo que havia ocorrido, um abrigo contra sua própria mente.
Isso de alguma forma trouxera-lhe independência, agora com 21 anos observava a linda borboleta azul celeste. Quando voltará para casa um ladrão tentou roubá-lo, Eduardo reagiu, o bandido assustado deu um tiro em seu peito, o qual fora fatal e o levou a óbito. Ninguém para orar por ele, não tinha amigos, seu pai, um tremendo alcoólatra não sabia que tinha um filho, agora morto.
Acordou em um campo vazio somente com uma árvore ao topo de um pequeno morro, não sentia o corpo e estranhou.Mas, lembrou que havia morrido,e o pavor percorreu seu corpo . –Onde estou? Como isso aconteceu? Eduardo gritava , mas ninguém o respondia. Até que uma voz grossa e com um tom maligno viera de trás dele.
Eduardo- disse a voz –Por que o desespero, Eduardo? Uma voz rouca e grossa vinha do céu, agora cinza como as brasas de um cigarro.
–Quem é você? O que você quer de mim? A voz novamente veio à tona:
- Eu sou o seu pior pesadelo.Sou uma coisa que você não imagina nem em seus devaneios, sou o vilão de seus livros, o causador do caos.
-Não, isso não é possível! O que eu fiz de errado? Por que você está aqui? Ou melhor, por que eu estou aqui? Onde estou?E afinal, quem é você? A morte?
- Acalme-se -ele deu uma risada macabra- A morte, que ingenuidade.A morte não existe.Eu sou um dos sete príncipes do Inferno,a tempos fui um anjo, fui o homem mais impuro que este miserável mundo já conheceu, sou o pior pecado, seu pior pesadelo.
Quando a entidade acabou de falar apareceu na frente de Eduardo.Ele gritou, caiu no chão e começou a rastejar para trás.A criatura era horrenda, possuía três cabeças, uma de homem com halito de fogo, uma de carneiro, e outra de touro.Possuía grandes assas negras como as de um morcego.
-Asmodeus! - Gritou Eduardo.
Ele ficou paralisado, chocado.Eduardo era ateu, não acreditava em anjos ou demônios.Após ver Asmodeus tudo o que sempre pensou não fazia sentido, todas as histórias sobre demônios que já tinha lido poderiam ser verdade.Quando Eduardo se tocou, Asmodeus havia sumido.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Penitenciária Divina
Odeio quando chegam essas horas, é o momento em que eu
normalmente desço até lá, ou subo, não sei ao certo pra que lado fica eu
simplesmente tenho de ir e vou.
Sento na cadeira de balanço na varanda, a fazenda é quase
que totalmente silenciosa exceto por um grilinho que insiste em cantar. A lua
tão cheia e brilhante reina na imensidão negra da noite.
Ao meu lado encontra-se um cálice com sangue que eu
desgostosamente retirei de um dos bodes da fazenda, mas apenas por ser necessário,
em outro cálice ao lado deste contém chá de ortiga, para que eu me lembre do
quão amargo é para onde vou. O sangue é a minha passagem, nele esta contida
energia para que eu possa chegar até lá disposta, mas eu não o bebo isso seria
nojento, eu o mantenho em mãos e é só.
Está quase na hora, uma golada no chá, cálice em mãos e o relógio
de parede da sala para. Sinto tudo girar, meu corpo parece se romper em espiral,
que sensação horrível, tudo dói.
Sinto meus pés tocarem terra firme, mas não é terra é pó de
lava vulcânica resfriado, tudo cheira a mofo e o calor é intenso, eu costumo
vir aqui todos os dias, mas é impossível se acostumar com esse clima.
Vocês devem imaginar que isso aqui é cheio de coisas, porém é
vazio, não há nada aqui além de almas perdidas buscando uma saída. Não há
tortura física, por que afinal não se tem um corpo, além do mais não existe
tortura maior que o esquecimento; o abandono de todos; a rejeição. Sou o único
ser que pisa nessa terra e minha única missão é fechar as portas que humanos
mal instruídos ocasionalmente abrem.
As almas normalmente são irracionais, passam os milênios berrando
e vagando pela imensidão do vazio, porém algumas delas dão sorte e acabam
saindo por uma das portas que os humanos abriram, e não é muito legal quando
elas saem, elas ficam stressadas e agressivas por não encontrarem o caminho até
a paz e acabam causando rebuliço entre os viventes.
É por isso que estou aqui todos os dias, caminhando pelas terras
fétidas e fechando cada porta. Se os humanos fossem menos imbecis e parassem de
mexer com os outros mundos eu teria uma boa noite de sono.
Não sei o porquê de eu fazer isso, e nem como faço, me
lembro de fazê-lo desde que eu me entendo por gente, vocês chamam o lugar para
onde eu vou de trevas, inferno, gehenna,submundo, enfim. Eu chamo apenas de Penitenciaria
Divina.
domingo, 4 de agosto de 2013
Criatura Invisível
Presa nessa droga que eles chamam de clinica de recuperação,
sem poder tê-lo, seu rosto era tão maravilhosamente lindo e seus olhos azuis
tinha um brilho incomparável.
Eu não sou daquele tipo que senta no cantinho da sala e fica
se balançando, muito menos do tipo que baba e diz ter vindo do espaço. Mas eles
dizem que preciso ficar aqui, por que sou um perigo à sociedade, mas no momento
a sociedade esta em perigo sem mim para alerta-los.
Naquela noite a lua estava tão linda, a lua se mantinha bem
no centro do céu e as estrelas cintilavam intensamente. Eu e Pablo combinamos
de assistir um filme na minha casa. Até ai tudo perfeito, tínhamos um ao outro,
pipoca sobrando e refrigerante gelado.
A situação só foi mudar lá pela metade do filme, eu levantei
para ir ao banheiro e quando voltei Pablo estava pálido, ele disse ter ouvido
passos no quarto que ficava do lado oposto de onde eu tinha ido.
Pensamos ser um assaltante e empalidecemos igualmente, eu
liguei para a emergência e eles disseram que estavam a caminho. Pablo pegou o
taco de basebol do meu pai que estava atrás da porta e fomos andando com passos
leves até o quarto.
Ascendemos a luz do quarto já esperando dar de cara com
algum rosto maldoso. Lembro-me o quão estranho aquilo tudo foi quando vimos o
quarto vazio e ainda assim o som dos passos estava presente, parecia estar a um
suspiro de nós, porém não víamos absolutamente nada.
Um segundo depois e os passos cessaram, alguns segundos de
silêncio cortante até que pudemos ouvir um sussurro gélido, “Em cada canto do
vasto mundo haverá uma perda, da perda virá o sofrimento e é do sofrimento que
renascemos”.
Olhamos-nos confusos e extremamente assustados quando demos
o primeiro passo para correr algo rasgou o peito de Pablo e arrancou seu
coração, eu pude vê-lo flutuar e ainda pulsou por alguns segundos, o coração
carregado por algum ser invisível sumiu por janela a fora e eu fiquei sozinha
debruçada sobre o corpo sem vida do meu namorado implorando a Deus para que
tudo fosse apenas um sonho ruim, mas não era.
A policia chegou minutos depois de tudo, contei a eles minha
história, mas eles claro, não acreditaram em mim. Jogaram-me dentro desse
inferno e ainda me culparam pela morte do Pablo.
O que mais me faz sofrer todas as noites é o fato de que em
cada canto desse vasto mundo haverá uma perda, da perda virá o sofrimento e do
sofrimento esses seres do inferno renascerão.
Sinto sua falta meu amor, assim que eu conseguir me libertar
desse inferno vou atrás desse maldito e vingarei você, Pablo. Eu prometo.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Amizade
Eu não sei ao certo como lidar com esse tipo de coisa, Cindy
e eu somos melhores amigas e eu sei que ela não faria nada de mal comigo, porém
assistir ao que ela faz é angustiante e repulsivo. Eu tenho vontade de sair
correndo e gritar, mas enquanto ela faz isso seus olhos me dão medo.
Um dia desses eu fui à casa dela como de costume, ela sempre
me chama tarde da noite chorando no telefone por se sentir uma pessoa ruim. Eu
sinto muita pena dela por ela ser sozinha nesse mundo, e meio que por burrice
eu sempre vou.
Só que nesse dia ela estava diferente, parecia ter dado de
cara com o próprio diabo, estava mais pálida que de costume e com os olhos
extremamente arregalados. Eu a segurei pelos braços e a chacoalhei gritando:
—Cindy! Cindy! O que aconteceu? Fala comigo.
Ela abria a boca, mas não conseguia fazer com que a voz
saísse muito certa, mas de tanto tentar ela finalmente conseguiu pronunciar
alguma coisa:
—Eles vieram atrás de mim, querem me levar com eles.
—Eles quem? De quem você ta falando?
—Todos aqueles que eu já matei por diversão. Eles voltaram,
querem se vingar.
Aquilo definitivamente não era possível, estávamos sozinhas
na casa eu não via e nem ouvia nada, com certeza Cindy estava delirando e
precisava urgentemente de tratamento. Ela ficou sentada no chão enfrente ao
sofá com as mãos apertadas contra os ouvidos e os olhos fechados enquanto eu me
levantava e ia até o telefone ligar para qualquer clinica que atendesse.
Enquanto eu esperava alguém me atender Cindy veio por trás e
agarrou um dos meus braços, fiquei um pouco assustada mas continuei imóvel, ela
sussurrou no meu ouvido antes de cair dura como uma pedra no chão. Ela havia me
pedido para que eu terminasse sua coleção.
Não sabia muito bem o que fazer com o corpo dela ali naquela sala, já
sem vida. Eu não conseguia chorar, para mim foi de certa forma um alívio ela
ter partido.
Fui a única em seu velório e hoje dedico meus dias ao
trabalho de um porão repleto de bonecas humanas sem olhos, não sei por quê, mas
a Cindy sempre arrancava os olhos.
Não é algo que eu goste, mas vou fazer até completar a
coleção dela, Afinal éramos amigas.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Crimes perfeitos não deixam suspeitos
Já eram quase duas da tarde quando terminei minha entrevista de emprego.
Apesar do nervosismo natural que uma oportunidade dessa
causa, tinha confiança que havia me saído bem. O sol estava a pino e meu estômago ansiava por comida. Na correria para não me atrasar fiz
um rápido desjejum com um copo de leite gelado.
No centro há uma variedade de restaurantes, em poucos metros encontramos desde a requintada comida francesa até a saudável
cozinha oriental. Sem contar nas diversas lanchonetes com seus “fast food’s” cada vez mais criativos.
No corre-corre, a multidão se aglomerava em busca de comida.
Mesmo nos tempos modernos, nos quais não precisamos caçar para comer
(pelo menos nas áreas urbanas), acredito que o homem ainda mantém sua agressividade, ainda somos os mesmos predadores à procura do mais saboroso alimento, dependendo é claro, do bolso de cada um.
O meu estava bem precário, devo admitir. Há algum tempo desempregado, economizava o máximo que podia uma pequena reserva que mal pagava as contas básicas. Pouco a pouco minha esperança por uma boa refeição diminuía.
O jeito era apelar para os vendedores ambulantes, onde também havia muitas opções de “fast” (ou “trash food” se atentarmos para tamanha falta de preocupação com higiene de alguns vendedores). Não sou um daqueles maníacos por limpeza, longe disso! Mas com comida sou bastante exigente.
Após caminhar pouco mais de duas quadras, gastando alguns minutos e a sola do meu sapato, enfim achei um lugar para comer.
Havia satisfação nas pessoas que comiam ali.
Que pelos dizeres da placa encostada no carro personalizado de “Hotdog-móvel” degustavam um delicioso cachorro quente, que
podia ser com milho, bacon, ervilhas, prensado ou especial com direito ainda a um copo de um refrescante suco de laranja ou limão. Era o que meu estomago precisava, tudo que minha consciência
permitia e também tudo que meu dinheiro podia pagar.
O vendedor usava avental, touca no cabelo e pasmem até LUVAS!
Um verdadeiro “oásis no deserto” metropolitano!
Ele era um sujeito muito simpático, desses que atraem a clientela com bom humor, brincava com seus clientes enquanto preparava os lanches. Eu, tentando distrair a fome, abri meu jornal à procura de alguma oportunidade de emprego que pudesse ter deixado passar despercebida nos classificados.
Distraído na busca, só dei conta que minha vez havia chegado quando
fui interrompido pelo vendedor, perguntando como eu queria o meu cachorro quente. Brinquei com ele dizendo que na minha infância cachorro quente era: pão, salsicha, maionese, “catchup” e mostarda.
Mas com a fome que estava podia ser o especial.
- Cheio de sangue!
- O que disse? – perguntei a ele.
- A foto... A foto da capa! Está cheia de sangue...
- Ah sim! A manchete...
Ele se referia à foto de um homem que fora encontrado morto na madrugada. E que em sua opinião seria provavelmente “mais um crime sem solução”. Discordei dizendo não acreditar em crimes perfeitos. Ele riu mostrando que sua higiene com a comida não se estendia aos dentes.
-Há muitos crimes perfeitos, meu rapaz.
Tem gente muito criativa, com planos mirabolantes, esses jamais serão pegos –filosofou enquanto cortava meu pão.
Voltei à minha busca nos anúncios, mas ele novamente me interrompeu.
- Eu sei de um caso assim. Um crime em que o culpado jamais foi descoberto, aliás, não houve ao menos crime perante as autoridades –disse ele enquanto passava a maionese.
Notando que não haveria sequer possibilidade de continuar minha leitura, já que restara apenas eu para o vendedor tagarela papear, dei o empurrãozinho que faltava para o homem me contar o causo.
- É mesmo?
- Sim! Sim! – disse ele empolgado, enquanto recheava meu “hot dog" com milho e ervilhas. Sabe aqueles casais de quem todo mundo sente inveja?
Pois bem, conheci um casal assim. Ele amava aquela mulher mais que a si mesmo. Fazia o que podia e não podia por ela. Quando estavam juntos parecia não haver nada ao redor dos dois. Todos dizem que ela era uma mulher de sorte por ter encontrado um homem tão amável.
Mas talvez ela não pensasse assim, ou pelo menos naquela altura do relacionamento o amor já não era tão intenso. Digo isso por parte dela, pois nele dava para notar facilmente a embriaguez da paixão. Todo o dia antes de voltar para casa, ele comprava as mais belas flores e a presenteava com um lindo buquê.
Ela o recebia sempre com uma de suas camisolas de seda, a qual caía muito bem em seu corpo levemente torneado. E assim o romance foi levado até uma típica tarde de verão. Sua mercadoria naquele dia foi toda vendida, ele estava contente,
com o bolso cheio de dinheiro e resolveu lhe fazer uma surpresa. Mal sabia que naquele trágico dia a surpresa estava reservada para ele.
Antes de retornar para casa passou numa joalheria, onde sua amada namorava há meses um lindo anel de prata recheado com pequenas pedras ametistas. Ele, em segredo, guardou todos os dias uma parte dos seus ganhos, conquistados com muito trabalho.
Fez isso durante semanas, e finalmente podia presenteá-la. Pagou a joia à vista. E pediu para a vendedora o porta-anel mais bonito que houvesse na loja.
Era um lindo presente, não mais belo que os olhos de sua amada. Não via a hora de lhe colocar a joia no dedo, e ver seus olhos reluzirem o brilho prateado do anel. Ao chegar em casa, abriu a porta com cuidado para surpreende-la, estava tudo silencioso. Tirou os sapatos e foi até a suíte. No corredor pode ouvir o chuveiro, ela estava no banho preparando-se para ele, pensou. Abriu a porta do quarto devagar e se deparou com a cama desarrumada, lá pôde ouvir melhor o som da água caindo no piso, misturado com pequenas risadas e gemidos. No chão, espalhadas pelo carpete azul, as roupas que para sua surpresa e desgraça não eram apenas de sua mulher.
Suas mãos trêmulas eram quase impossíveis de coordenar, mas o seu ódio o conduzia. A porta do banheiro estava apenas encostada e ele com um toque sutil abriu apenas o suficiente para ver com seus próprios olhos, através do box de vidro transparente, sua mulher, de joelhos. A razão da sua vida, usando todo prazer que sua carícia oral oferecia em outro homem.
A vontade do homem traído era arrebentar os dois naquele momento.
Mas não o fez.
- Não o fez? – perguntei nessa altura já com a boca cheia de pão e salsicha.
- Não! Ele se conteve, jogou o anel no chão, saiu do quarto com a mesma discrição que entrou e foi até o quartinho de ferramentas.
Ao abrir, imaginou o estrago que cada uma daquelas ferramentas poderia produzir nos amantes. E preferiu o machado.
Sua escolha não poderia ter sido melhor, pois afiado como estava, depois de cortar lenhas durante todo o inverno, seria como cortar manteiga com faca quente.
Os gemidos e gritos de prazer invadiam todo o corredor, eles se amavam mais e mais sem ao menos imaginar o terrível destino que os esperava.
Ele voltou ao quarto com o machado em punho, nessa hora sem a preocupação de ser notado. Abriu a porta do banheiro, e se aproximou do box. Sua companheira e o amante nessa altura nem poderia nota-lo devido à posição em que se encontravam.
Com toda sua força, o homem traído desferiu um golpe contra o box, o som do vidro estilhaçado pelo machado envolto ao grito de dor do amante, que sofrera com toda a carga da lamina do machado em suas costas, transformou o ambiente.
Ele sentiu prazer ao ver sua mulher desesperada partir em cima dele, e com um soco violento em seu rosto atirou-a no chão.
O amante, caído, tentava se arrastar, cortando sua pele nos estilhaços. Em vão. O algoz se aproximou e prensando as costas da vitima contra o piso, retirou o machado com fúria maior que a usada para cravar-lhe anteriormente. Então com o poder de um carrasco encostou a lamina manchada pelo sangue no pescoço do desventurado. Ele queria que o sujeito sentisse todo o pavor, queria que o sussurro da morte iminente lhe soprasse os ouvidos naquele instante para então desferir o golpe fatal.
A cabeça, arrancada do corpo parecia banhar-se no sangue.
Então voltou sua atenção para ela, o amor da sua vida, que tentava se levantar.
Estava branca como leite, com o lado esquerdo da face inchado pelo golpe que sofrera. E mesmo assim ainda era atraente, sua beleza hipnotizava o pobre homem, e ela sabia disso. Suplicando para que ele poupasse sua vida, ficou de joelhos. Ele não conseguia odiá-la, por mais que quisesse, e como queria... Mas não conseguia. Aproximou-se chorando e deu lhe um beijo suave na testa.
Mas fora traído novamente. E sentiu a sua fronte ser cortada por um pedaço pontiagudo de vidro que ela sorrateiramente apanhou do chão.
Ele caiu e ela na tentativa da fuga escorregou no piso molhado de água e sangue.
Então ele a pegou novamente, mas dessa vez sem piedade alguma socou sua cabeça no chão, uma, duas, dez vezes, quanto mais batia, mais queria bater, e assim o fez. Até que o barulho das batidas foi ficando cada vez mais abafado pela massa encefálica que recheava o piso, os longos fios louros da amada e seus dedos. Então ele sentou-se embaixo do chuveiro e ali permaneceu por horas.
Quando voltou a si, sentiu-se bem por tudo aquilo, tinha lavado sua honra e precisava limpar tudo aquilo. Pensou por um tempo numa maneira de ocultar todo aquele lixo, aqueles dois imensos pedaços de escória que sujavam seu banheiro.
E arrumou uma maneira, digamos... Criativa! Um plano perfeito para que nunca fosse descoberto. E assim o fez. Até hoje ela e o amante, um vendedor de livros, são dados como desaparecidos. E o homem pode assim ter novamente sua vida, com dignidade e honra. Um crime perfeito viu só?
- É isso? E a polícia? Nada descobriu? – perguntei
- Nada! Bom, meu rapaz, vejo que terminou seu lanche, e já está na minha hora – respondeu-me o vendedor tirando suas luvas e o avental.
- Mas o que ele fez com os corpos?
- Desfez-se deles. Ora, use sua imaginação...
- Não, espera! Se fosse um crime perfeito você não saberia. Ao menos que...
Foi então que notei, ao vê-lo sem touca, uma enorme cicatriz em sua face. Isso me gelou a espinha, e me paralisou de tal forma que não consegui dizer mais nada. O homem terminou de guardar suas coisas, entrou no carro e partiu.
Pasmo com tudo aquilo, senti um pequeno incomodo, como se houvesse
chupado uma manga e um fiapo tivesse preso entre os dentes, cutuquei com o dedo e retirei um pequeno fio de cabelo louro. E aquilo me trouxe
a última coisa que o vendedor me disse quando o questionei sobre os corpos...
“Use sua imaginação...”
Por: Fernando Ferric
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