quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Sombras

Eu também costumava dizer a mim mesmo que era só coisa da minha cabeça quando eu via aqueles vultos no quarto antes de dormir, mas isso foi bem antes.
São apenas sombras que passam de relance, o que sombras podem te fazer de mal?
Isso era o que eu pensava, eu estava tão errado. Deus, como eu estava errado!
Uma bela noite deitado em minha cama eu observava-as passar por diante dos meus olhos, decidi que iria observa-las não havia mal nenhum nisso, elas nada faziam além de passar num vulto pelo quarto e sumir na parede escura, algumas eram apenas reflexos de morcegos e aves noturnas e eu costuma rir por sentir medo daquilo um dia, me sentia um idiota.
Passei a fazer isso todas as noites, era terapêutico observar e concluir o quanto a mente humana enganava. Mas numa dessas noites algo estranho aconteceu.
De tanto observar cada sombra que passava em finalmente consegui distinguir cada sombra. Pássaros, morcegos e outro tipo medonho de sombra indefinida e sem portador que deslizava pelas paredes. Ela de certa forma percebeu que eu pude distingui-la das outras e deslizou até a parede ao lado da minha cama.
Eu fiquei gélido, senti meu corpo paralisar, lutei um tempo acordado e imóvel, mas o sono me alcançou e eu adormeci.
Todas as noites seguintes foi a mesma coisa, ela chega, desliza pelas paredes e descansa ao meu lado. Porém essa não é a parte ruim das coisas, após um tempo de tormento ela não só fica ali parada ao teu lado ela começa a sussurrar sons estranhos, perturba o seu sono a noite toda, você mal dorme.
Após um tempo convivendo com isso você começa a entender os sussurros dela, ela te pede para fazer coisas ruins e te conta histórias ruins, ás vezes elas até mesmo interpretam as histórias em formas de sombras na parede.
Ela sempre me pede para que eu converse com ela, diz que se eu responde-la poderemos ser muito mais amigos.
Eu nunca ousei responde-la, sinto que pode acontecer algo ruim se eu falar diretamente á ela.
Noite passada ela disse que vou ser uma oferenda ao seu senhor em breve, que sua única tarefa era me fazer falar com ela e que ela nunca desistiria.
Me sinto cedendo, já estou ficando louco. Se algum dia alguém encontrar esse documento e eu não estiver mais aqui, siga o meu conselho: Sempre finja que você não as vê, ainda que as veja, durma e acima de tudo, nunca, absolutamente nunca fale com elas.
George Simpson

15 de setembro de 1996

domingo, 4 de agosto de 2013

Criatura Invisível

Presa nessa droga que eles chamam de clinica de recuperação, sem poder tê-lo, seu rosto era tão maravilhosamente lindo e seus olhos azuis tinha um brilho incomparável.
Eu não sou daquele tipo que senta no cantinho da sala e fica se balançando, muito menos do tipo que baba e diz ter vindo do espaço. Mas eles dizem que preciso ficar aqui, por que sou um perigo à sociedade, mas no momento a sociedade esta em perigo sem mim para alerta-los.
Naquela noite a lua estava tão linda, a lua se mantinha bem no centro do céu e as estrelas cintilavam intensamente. Eu e Pablo combinamos de assistir um filme na minha casa. Até ai tudo perfeito, tínhamos um ao outro, pipoca sobrando e refrigerante gelado.
A situação só foi mudar lá pela metade do filme, eu levantei para ir ao banheiro e quando voltei Pablo estava pálido, ele disse ter ouvido passos no quarto que ficava do lado oposto de onde eu tinha ido.
Pensamos ser um assaltante e empalidecemos igualmente, eu liguei para a emergência e eles disseram que estavam a caminho. Pablo pegou o taco de basebol do meu pai que estava atrás da porta e fomos andando com passos leves até o quarto.
Ascendemos a luz do quarto já esperando dar de cara com algum rosto maldoso. Lembro-me o quão estranho aquilo tudo foi quando vimos o quarto vazio e ainda assim o som dos passos estava presente, parecia estar a um suspiro de nós, porém não víamos absolutamente nada.
Um segundo depois e os passos cessaram, alguns segundos de silêncio cortante até que pudemos ouvir um sussurro gélido, “Em cada canto do vasto mundo haverá uma perda, da perda virá o sofrimento e é do sofrimento que renascemos”.
Olhamos-nos confusos e extremamente assustados quando demos o primeiro passo para correr algo rasgou o peito de Pablo e arrancou seu coração, eu pude vê-lo flutuar e ainda pulsou por alguns segundos, o coração carregado por algum ser invisível sumiu por janela a fora e eu fiquei sozinha debruçada sobre o corpo sem vida do meu namorado implorando a Deus para que tudo fosse apenas um sonho ruim, mas não era.
A policia chegou minutos depois de tudo, contei a eles minha história, mas eles claro, não acreditaram em mim. Jogaram-me dentro desse inferno e ainda me culparam pela morte do Pablo.
O que mais me faz sofrer todas as noites é o fato de que em cada canto desse vasto mundo haverá uma perda, da perda virá o sofrimento e do sofrimento esses seres do inferno renascerão.

Sinto sua falta meu amor, assim que eu conseguir me libertar desse inferno vou atrás desse maldito e vingarei você, Pablo. Eu prometo.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Os Swans

                                                      
Mais um dia chato de terça a noite, voltando do trabalho o relógio marcava cerca de dez da noite, fazer hora extra era um saco, mas fazer hora extra no auge do inverno era um saco duplo.
Eu ficava olhando para os pequeninos flocos de neve caindo no meu coturno e pensava comigo,“ Preciso comprar um carro.” Não era assim tão simples devido a minha pouca renda mensal e uma ex mulher sugadora. Mas afinal andar cinco ou seis quilômetros não fazia mal a ninguém.
No meio do meu trajeto melancólico de trabalho-casa vi uma garotinha encolhida frente a um portão grande, atual casa dos Swan. Ela mantinha a cabeça abaixada entre as pernas e repetia um chorar baixinho e um soluço cortante, aparentava ter uns dez anos no Maximo onze, seus cachinhos dourados estavam cobertos por neve fria ela vestia apenas um vestidinho branco de seda e tremia de frio.
Fiquei comovido pela cena, não podia deixa-la ali sem amparo algum. Aproximei-me e toquei seu ombro. Ela levantou a cabeça tão rapidamente que eu me assustei, tinha algo errado com os seus olhos, onde um dia parecia ter havido um azul vivido era quase branco como a esclera, já onde havia o branco estava colorido por um vermelho irritado.
Eu sempre acreditei em histórias de monstros e fantasmas e confesso que tremi quando ela me olhou daquele jeito. Porém eu não deveria me ligar a bobagens e abandona-la ali, então perguntei:
—O que você esta fazendo aqui a fora assim? Aconteceu alguma coisa.
Ela secou as lagrimas dos olhinhos estranhos, pegou a minha mão e disse que iria me mostrar.
Adentramos os portões da casa dos Swan e eu percebi o quanto silencioso de mais a propriedade parecia.
Quando abrimos as portas da sala principal eu fiquei horrorizado, os membros de toda a família estavam mortos, o cômodo coberto por sangue gélido e apenas um deles tinha uma arma em mãos com um buraco de saída no crânio que espirrara sangue por toda a parede bem pintada.
Trêmulo e com receio de perguntar eu me dirigi a garotinha:
—O- o que aconteceu aqui?        
A pequena menina debulhada em lágrimas novamente e em soluços começou falar:
—O senhor Arnold Swan Irmão do dono da propriedade chegou na reunião de família e bêbado e raivoso, primeiro ele começou gritar e a derrubar as coisas, eu ouvia tudo quietinha lá embaixo, de repente ouvi um tiro BANG! E todos começaram a gritar depois ouvi os berros das meninas e mais BANGs da arma, foi quando o ultimo BANG disparou e tudo ficou num silêncio absoluto. Ele não sabia que eu estava aqui eu sou uma criança rejeitada por ter sido fruto do pecado do senhor Swan e sua filha Elisa. Só hoje me libertei de lá e hoje todos estão mortos.

Eu a peguei no colo e a abracei forte, concordava que fantasmas e monstros eram maus, mas humanos, humanos são loucos.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Amizade


Eu não sei ao certo como lidar com esse tipo de coisa, Cindy e eu somos melhores amigas e eu sei que ela não faria nada de mal comigo, porém assistir ao que ela faz é angustiante e repulsivo. Eu tenho vontade de sair correndo e gritar, mas enquanto ela faz isso seus olhos me dão medo.
Um dia desses eu fui à casa dela como de costume, ela sempre me chama tarde da noite chorando no telefone por se sentir uma pessoa ruim. Eu sinto muita pena dela por ela ser sozinha nesse mundo, e meio que por burrice eu sempre vou.
Só que nesse dia ela estava diferente, parecia ter dado de cara com o próprio diabo, estava mais pálida que de costume e com os olhos extremamente arregalados. Eu a segurei pelos braços e a chacoalhei gritando:
—Cindy! Cindy! O que aconteceu? Fala comigo.
Ela abria a boca, mas não conseguia fazer com que a voz saísse muito certa, mas de tanto tentar ela finalmente conseguiu pronunciar alguma coisa:
—Eles vieram atrás de mim, querem me levar com eles.
—Eles quem? De quem você ta falando?
—Todos aqueles que eu já matei por diversão. Eles voltaram, querem se vingar.
Aquilo definitivamente não era possível, estávamos sozinhas na casa eu não via e nem ouvia nada, com certeza Cindy estava delirando e precisava urgentemente de tratamento. Ela ficou sentada no chão enfrente ao sofá com as mãos apertadas contra os ouvidos e os olhos fechados enquanto eu me levantava e ia até o telefone ligar para qualquer clinica que atendesse.
Enquanto eu esperava alguém me atender Cindy veio por trás e agarrou um dos meus braços, fiquei um pouco assustada mas continuei imóvel, ela sussurrou no meu ouvido antes de cair dura como uma pedra no chão. Ela havia me pedido para que eu terminasse sua coleção.      Não sabia muito bem o que fazer com o corpo dela ali naquela sala, já sem vida. Eu não conseguia chorar, para mim foi de certa forma um alívio ela ter partido.
Fui a única em seu velório e hoje dedico meus dias ao trabalho de um porão repleto de bonecas humanas sem olhos, não sei por quê, mas a Cindy sempre arrancava os olhos.


Não é algo que eu goste, mas vou fazer até completar a coleção dela, Afinal éramos amigas.

Curse of Chucky

Boa Noite.




Não sei se vocês sabem, alguns devem saber, sobre o novo filme do Chucky. O criador da série Don Mancini, resolveu lançar mais um filme sobre o boneco.O longa metragem ganhará o nome de Curse Of Chucky. Não Será uma continuação da franquia.O filme é focado numa família que se reúne para um funeral.De repente, vários familiares começam a morrer misteriosamente.Uma criança começa a desconfiar que o responsável pelos assassinatos seja seu novo boneco que chegou misteriosamente pelo correio.   
O filme estreia dia 24 de Setembro nos Estados Unidos em Blu-Ray e DVD, não irá para os cinemas.


O trailer oficial foi divulgado dia 08/07

domingo, 2 de junho de 2013

Vilões


Olá pessoas -u-

Como o título já diz, vou falar sobre os 10 vilões mais fodas na MINHA opinião ok? auheuahe

10- Ghostface

Não sei muito sobre ele mas sei que ele mata com uma faca afiadissima, mantem sua identidade secreta e usa roupas pretas.




9- Chucky

Acho que todo mundo conhece neh? UAHEUAUHE 
Charles Lee Ray um serial killer está fugindo da policia quando tem a maravilhosa ideia de entrar em uma loja de brinquedos e usar seus conhecimentos vodoo para passar sua alma para um boneco, o resto nn preciso falar que vcs sabem aeuhauhe


8- Jack Torrance (masoq?)

Nada mais nada menos do que ele 
masoq² ta vou simplificar UAHEUHAUEH
Na foto de cima e ele em uma outra versão do filme que eu vi outro dia que tem 4 hora ;-; Ele é um escritor ex-professor que foi afastado do cargo por agredir um aluno UAHEUAHE ele é alcoólatra e está tentando reconstruir a sua vida aceitando o emprego de caseiro durante o rigoroso inverno no hotel overlook.Ele se muda para lá com a sua mulher e o seu filho telepata Danny.O hotel é assombrado e os espíritos querem o menino e  usam ele para consegui-lo e bla bla bla.

7- Hannibal Lecter

Acho que nn preciso falar nada UHAUHAUHE


6- Pennywise

Um palhaço que se alimenta do medo das crianças, ele entra na mente delas vê o que elas temem e se transforma naquilo.Acho ele meio pedófilo mas isso não vem ao caso.



5- Pinehead


Não vou falar muita coisa sobre ele pois nn vi os filmes T-T
Mas acho ele mt daora, ele tem pregos por toda a cabeça, abre a caixa e vc morre.



4- Freddy

Apesar de eu odiar ele, ele tinha que estar aqui.
Ele era zelador numa escola de educação infantil e ele abusa das criancinhas, quando um dia os pais souberam e botaram fogo num galpão onde ele estava.Quando as crianças estão adultas ele volta para mata-la no sonho, ou seja, dormiu fodeu, morreu UAHEUHE


3- Leathfacer

Um dos 1° vilões de terror se não me engano.
Leathfacer vive com o seu pai e seu irmão numa cidade isolada do Texas.Usa uma serra elétrica para matar suas vitimas e deve pesar uns 120 kilos de pura carne humana, sua família é canibal.Usa uma mascara de pele humana acho e não tem dó do seu jantar UHAEAUHE


2- Jason

Ain meu lindo UAHEUAUEH 
Morreu afogado no lago Crystal Lake por negligência dos monitores que estavam fazendo sexo na hora, esse povo u-u Ele volta, meio zumbi mas não, e mata todos que ousam perturbar seu "sono".Ele usa absolutamente tudo para matar suas vitimas, até elas mesmas.


1- Michael Myers

Logico que ele tinha que estar em 1° neh u-u lindo <3 aueauhe parei.

Matou sua irmã quando era pequeno na noite de halloween e foi mandando para um hospício de onde escapou.No dia do 16° aniversário da sua irmã mais nova começou um massacre matando todos ao redor dela e tentando matá-la.Ele já foi baleado, queimado,afogado e até mesmo decapitado se não me engano, mas ele não morre AUHEAUHAHE Nada o impede de fazer um próximo filme e tentar matar todos de novo.

É isso, bons pesadelos queridos.


sexta-feira, 17 de maio de 2013

Crimes perfeitos não deixam suspeitos


Já eram quase duas da tarde quando terminei minha entrevista de emprego.
Apesar do nervosismo natural que uma oportunidade dessa
causa, tinha confiança que havia me saído bem. O sol estava a pino e meu estômago ansiava por comida. Na correria para não me atrasar fiz
um rápido desjejum com um copo de leite gelado.
No centro há uma variedade de restaurantes, em poucos metros encontramos desde a requintada comida francesa até a saudável
cozinha oriental. Sem contar nas diversas lanchonetes com seus “fast food’s” cada vez mais criativos.


No corre-corre, a multidão se aglomerava em busca de comida.

Mesmo nos tempos modernos, nos quais não precisamos caçar para comer
(pelo menos nas áreas urbanas), acredito que o homem ainda mantém sua agressividade, ainda somos os mesmos predadores à procura do mais saboroso alimento, dependendo é claro, do bolso de cada um.



O meu estava bem precário, devo admitir. Há algum tempo desempregado, economizava o máximo que podia uma pequena reserva que mal pagava as contas básicas. Pouco a pouco minha esperança por uma boa refeição diminuía.

O jeito era apelar para os vendedores ambulantes, onde também havia muitas opções de “fast” (ou “trash food” se atentarmos para tamanha falta de preocupação com higiene de alguns vendedores). Não sou um daqueles maníacos por limpeza, longe disso! Mas com comida sou bastante exigente.


Após caminhar pouco mais de duas quadras, gastando alguns minutos e a sola do meu sapato, enfim achei um lugar para comer.

Havia satisfação nas pessoas que comiam ali.
Que pelos dizeres da placa encostada no carro personalizado de “Hotdog-móvel” degustavam um delicioso cachorro quente, que
podia ser com milho, bacon, ervilhas, prensado ou especial com direito ainda a um copo de um refrescante suco de laranja ou limão. Era o que meu estomago precisava, tudo que minha consciência
permitia e também tudo que meu dinheiro podia pagar.



O vendedor usava avental, touca no cabelo e pasmem até LUVAS!

Um verdadeiro “oásis no deserto” metropolitano!
Ele era um sujeito muito simpático, desses que atraem a clientela com bom humor, brincava com seus clientes enquanto preparava os lanches. Eu, tentando distrair a fome, abri meu jornal à procura de alguma oportunidade de emprego que pudesse ter deixado passar despercebida nos classificados.



Distraído na busca, só dei conta que minha vez havia chegado quando

fui interrompido pelo vendedor, perguntando como eu queria o meu cachorro quente. Brinquei com ele dizendo que na minha infância cachorro quente era: pão, salsicha, maionese, “catchup” e mostarda.
Mas com a fome que estava podia ser o especial.



- Cheio de sangue!



- O que disse? – perguntei a ele.



- A foto... A foto da capa! Está cheia de sangue...

- Ah sim! A manchete...



Ele se referia à foto de um homem que fora encontrado morto na madrugada. E que em sua opinião seria provavelmente “mais um crime sem solução”. Discordei dizendo não acreditar em crimes perfeitos. Ele riu mostrando que sua higiene com a comida não se estendia aos dentes.

-Há muitos crimes perfeitos, meu rapaz.
Tem gente muito criativa, com planos mirabolantes, esses jamais serão pegos –filosofou enquanto cortava meu pão.



Voltei à minha busca nos anúncios, mas ele novamente me interrompeu.



- Eu sei de um caso assim. Um crime em que o culpado jamais foi descoberto, aliás, não houve ao menos crime perante as autoridades –disse ele enquanto passava a maionese.



Notando que não haveria sequer possibilidade de continuar minha leitura, já que restara apenas eu para o vendedor tagarela papear, dei o empurrãozinho que faltava para o homem me contar o causo.



- É mesmo?



- Sim! Sim! – disse ele empolgado, enquanto recheava meu “hot dog" com milho e ervilhas. Sabe aqueles casais de quem todo mundo sente inveja?

Pois bem, conheci um casal assim. Ele amava aquela mulher mais que a si mesmo. Fazia o que podia e não podia por ela. Quando estavam juntos parecia não haver nada ao redor dos dois. Todos dizem que ela era uma mulher de sorte por ter encontrado um homem tão amável.


Mas talvez ela não pensasse assim, ou pelo menos naquela altura do relacionamento o amor já não era tão intenso. Digo isso por parte dela, pois nele dava para notar facilmente a embriaguez da paixão. Todo o dia antes de voltar para casa, ele comprava as mais belas flores e a presenteava com um lindo buquê.



Ela o recebia sempre com uma de suas camisolas de seda, a qual caía muito bem em seu corpo levemente torneado. E assim o romance foi levado até uma típica tarde de verão. Sua mercadoria naquele dia foi toda vendida, ele estava contente,

com o bolso cheio de dinheiro e resolveu lhe fazer uma surpresa. Mal sabia que naquele trágico dia a surpresa estava reservada para ele.


Antes de retornar para casa passou numa joalheria, onde sua amada namorava há meses um lindo anel de prata recheado com pequenas pedras ametistas. Ele, em segredo, guardou todos os dias uma parte dos seus ganhos, conquistados com muito trabalho.

Fez isso durante semanas, e finalmente podia presenteá-la. Pagou a joia à vista. E pediu para a vendedora o porta-anel mais bonito que houvesse na loja.


Era um lindo presente, não mais belo que os olhos de sua amada. Não via a hora de lhe colocar a joia no dedo, e ver seus olhos reluzirem o brilho prateado do anel. Ao chegar em casa, abriu a porta com cuidado para surpreende-la, estava tudo silencioso. Tirou os sapatos e foi até a suíte. No corredor pode ouvir o chuveiro, ela estava no banho preparando-se para ele, pensou. Abriu a porta do quarto devagar e se deparou com a cama desarrumada, lá pôde ouvir melhor o som da água caindo no piso, misturado com pequenas risadas e gemidos. No chão, espalhadas pelo carpete azul, as roupas que para sua surpresa e desgraça não eram apenas de sua mulher.



Suas mãos trêmulas eram quase impossíveis de coordenar, mas o seu ódio o conduzia. A porta do banheiro estava apenas encostada e ele com um toque sutil abriu apenas o suficiente para ver com seus próprios olhos, através do box de vidro transparente, sua mulher, de joelhos. A razão da sua vida, usando todo prazer que sua carícia oral oferecia em outro homem.



A vontade do homem traído era arrebentar os dois naquele momento.

Mas não o fez.


- Não o fez? – perguntei nessa altura já com a boca cheia de pão e salsicha.



- Não! Ele se conteve, jogou o anel no chão, saiu do quarto com a mesma discrição que entrou e foi até o quartinho de ferramentas.

Ao abrir, imaginou o estrago que cada uma daquelas ferramentas poderia produzir nos amantes. E preferiu o machado.
Sua escolha não poderia ter sido melhor, pois afiado como estava, depois de cortar lenhas durante todo o inverno, seria como cortar manteiga com faca quente.
Os gemidos e gritos de prazer invadiam todo o corredor, eles se amavam mais e mais sem ao menos imaginar o terrível destino que os esperava.



Ele voltou ao quarto com o machado em punho, nessa hora sem a preocupação de ser notado. Abriu a porta do banheiro, e se aproximou do box. Sua companheira e o amante nessa altura nem poderia nota-lo devido à posição em que se encontravam.



Com toda sua força, o homem traído desferiu um golpe contra o box, o som do vidro estilhaçado pelo machado envolto ao grito de dor do amante, que sofrera com toda a carga da lamina do machado em suas costas, transformou o ambiente.



Ele sentiu prazer ao ver sua mulher desesperada partir em cima dele, e com um soco violento em seu rosto atirou-a no chão.

O amante, caído, tentava se arrastar, cortando sua pele nos estilhaços. Em vão. O algoz se aproximou e prensando as costas da vitima contra o piso, retirou o machado com fúria maior que a usada para cravar-lhe anteriormente. Então com o poder de um carrasco encostou a lamina manchada pelo sangue no pescoço do desventurado. Ele queria que o sujeito sentisse todo o pavor, queria que o sussurro da morte iminente lhe soprasse os ouvidos naquele instante para então desferir o golpe fatal.
A cabeça, arrancada do corpo parecia banhar-se no sangue.



Então voltou sua atenção para ela, o amor da sua vida, que tentava se levantar.

Estava branca como leite, com o lado esquerdo da face inchado pelo golpe que sofrera. E mesmo assim ainda era atraente, sua beleza hipnotizava o pobre homem, e ela sabia disso. Suplicando para que ele poupasse sua vida, ficou de joelhos. Ele não conseguia odiá-la, por mais que quisesse, e como queria... Mas não conseguia. Aproximou-se chorando e deu lhe um beijo suave na testa.
Mas fora traído novamente. E sentiu a sua fronte ser cortada por um pedaço pontiagudo de vidro que ela sorrateiramente apanhou do chão.



Ele caiu e ela na tentativa da fuga escorregou no piso molhado de água e sangue.

Então ele a pegou novamente, mas dessa vez sem piedade alguma socou sua cabeça no chão, uma, duas, dez vezes, quanto mais batia, mais queria bater, e assim o fez. Até que o barulho das batidas foi ficando cada vez mais abafado pela massa encefálica que recheava o piso, os longos fios louros da amada e seus dedos. Então ele sentou-se embaixo do chuveiro e ali permaneceu por horas.


Quando voltou a si, sentiu-se bem por tudo aquilo, tinha lavado sua honra e precisava limpar tudo aquilo. Pensou por um tempo numa maneira de ocultar todo aquele lixo, aqueles dois imensos pedaços de escória que sujavam seu banheiro.



E arrumou uma maneira, digamos... Criativa! Um plano perfeito para que nunca fosse descoberto. E assim o fez. Até hoje ela e o amante, um vendedor de livros, são dados como desaparecidos. E o homem pode assim ter novamente sua vida, com dignidade e honra. Um crime perfeito viu só?



- É isso? E a polícia? Nada descobriu? – perguntei



- Nada! Bom, meu rapaz, vejo que terminou seu lanche, e já está na minha hora – respondeu-me o vendedor tirando suas luvas e o avental.



- Mas o que ele fez com os corpos?



- Desfez-se deles. Ora, use sua imaginação...



- Não, espera! Se fosse um crime perfeito você não saberia. Ao menos que...



Foi então que notei, ao vê-lo sem touca, uma enorme cicatriz em sua face. Isso me gelou a espinha, e me paralisou de tal forma que não consegui dizer mais nada. O homem terminou de guardar suas coisas, entrou no carro e partiu.



Pasmo com tudo aquilo, senti um pequeno incomodo, como se houvesse

chupado uma manga e um fiapo tivesse preso entre os dentes, cutuquei com o dedo e retirei um pequeno fio de cabelo louro. E aquilo me trouxe
a última coisa que o vendedor me disse quando o questionei sobre os corpos...



“Use sua imaginação...”


                                             Por: Fernando Ferric